Imagem capa - Puerpério  por Karina Ferreira Frias

Puerpério

“Depois que ele nasce, ela fica ali. O útero vazio, o coração apertado, o peito cheio de leite. Todo mundo em cima do bebê, e ela ali, de resguardo. Resguardo? Até parece. O Puerpério é puro agito, emoção, sentimentos à flor da pele. O bebê está perto mas não está mais dentro, e isso não gera nenhum acalento. É uma delícia ver nascer, mas é um processo até entender.

Descarga de hormônios, sangramento por 40 dias, tem que dar de mamar, enfrentar desafios. Quando o bebê nasce acabam as regalias! - Você é mãe, ué. Todo mundo espera dela, enquanto ela se recupera.

E o bebê? Mamou? Dormiu? Tomou banho?

E todo mundo continua olhando para o bebê. Ninguém quer saber do banho dela, do conforto, do bem estar como faziam na gravidez. É tudo sobre o bebê. E ela ali à mercê, lidando com o que tinha dentro, fora. O coração que batia dentro, batendo do lado de fora, e com vida própria. Uma vida que todos dizem depender dela, mas quem é mesmo que olha por ela? A delicadeza é perceber que o bebê precisa de cuidados, claro. Mas é a mãe que precisa de muita atenção, depois de tanta emoção. E não só atenção, é mais, muito mais. É carinho, abraço apertado, um olhar com cuidado. Por isso que eu digo, mulher no puerpério precisa do seu abraço como abrigo. Não importa se você é o marido, a irmã, o irmão, a mãe, o pai, a sogra, o sogro, a vizinha, a amiga, ou o doutor. Todo mundo pode ser o abraço acolhedor. Acolha e lembre-se: O bebê está para ela, assim como ela está para você. Ela também acabou de nascer.”

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